27ª Conferência Nacional do PCO

Assista ao Informe Político da 27ª Conferência Nacional do PCO

Conferência Nacional do PCO: greve geral, crise dos golpistas e o futuro da luta contra o golpe

Aconteceu nos dias 29 e 30 de abril, a 27ª Conferência Nacional do PCO. O encontro reuniu militantes e simpatizantes do Partido de todos os cantos do país e foi marcado pela greve geral que o precedeu. Foi um momento de balanço, de se tirar conclusões sobre a situação pela qual passa o País e sobre o acirramento da luta contra o golpe.

A Conferência teve início com o Informe Político apresentado pelo presidente nacional do PCO, o companheiro Rui Costa Pimenta. No informe, um balanço da situação política, baseado no documento base da Conferência que foi publicado no Diário Causa Operária Online, Rui Pimenta analisou os resultados da greve geral: “o pacto social introduzido com o governo FHC se rompeu. A estabilidade, o pacto, se desmancharam. A greve geral é uma prova de que isso se rompeu. A classe operária, através de seus principais representantes, os sindicatos, entram na situação política para dizer que não há mais acordo sobre nada.”

Também foi discutido no Informe a sequência de atos e mobilizações contra os golpistas, além da greve geral, o 1º de Maio, dia dos trabalhadores, e o ato contra a prisão de Lula, marcado para o dia 10 de maio. Sobre este ato o companheiro apontou que “estava marcado (o depoimento) para o dia 3, conforme todo mundo viu, foi uma primeira vitória da classe operária, do movimento contra o golpe e a direita que viu que não tinha condições de controlar a situação em Curitiba no dia 3, é uma vitória do movimento de luta contra o golpe e do nosso próprio partido.”

Após o Informe, que foi transmitido ao vivo pela Causa Operária TV,  houve um amplo debate político, do qual surgiram deliberações e declarações que serão publicadas na íntegra em edições subsequentes do Diário Causa Operária Online. Entre elas estão a resolução sobre a autodefesa dos trabalhadores do campo, sobre a operação Lava Jato, a reforma política e outros temas de importância para o Partido, os trabalhadores e a luta contra o golpe.

O segundo dia repleto de discussões sobre os rumos da ação partidária, novas iniciativas e ações a serem tomadas no terreno prático. Neste dia também foram tiradas uma série de resoluções.

A 27ª Conferência Nacional do PCO terminou com uma moção votada por aclamação em repúdio à prisão de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, presos por participarem de manifestações no dia da greve geral e pelo sonoro grito de guerra do Partido, que por sua vez também se defende e enfrenta os ataques da direita.

O partido avalia que os resultados da Conferência foram positivos, saiu fortalecido e preparado para esta nova etapa que se abre na luta contra o golpe e pela construção de um partido independente e revolucionário da classe operária.

 

 

Informe político à 27ª Conferência Nacional do PCO

Publicamos abaixo o informe político que será debatido na 27ª Conferência Nacional do PCO. O documento é uma completa análise da situação política internacional e nacional. A Conferência ocorrerá nos próximos dias 29 e 30 de abril, no Centro Cultural Benjamin Peret (CCBP). Até lá, publicaremos mais documentos e informações sobre a conferência.

  1. Trump e a crise do imperialismo
    1. A vitória eleitoral de Donald Trump expos a enorme fragilidade de todo o regime político imperialista mundial. Trump foi vitorioso contra a vontade dos principais setores que dominam o mercado mundial, bancos, grandes especuladores e grandes industriais. Sua vitória lançou o imperialismo mundial em uma situação de desorientação sem precedentes. O regime político norte-americano se vê enfrentado com uma crise interna de longa duração.
    2. O grande desafio para o imperialismo, neste momento, é evitar o aprofundamento da crise, por um lado, buscando controlar o novo governo e, por outro, evitar novas derrotas através de uma política de amplas manobras parlamentares e extra parlamentares como vimos na Holanda e, agora, na França.
    3. De conjunto, a situação mundial pode ser descrita fundamentalmente como de esgotamento da política neoliberal e globalista, agora na sua versão “democrática”. Após os desastres da guerra do Iraque e da ofensiva em diversos países atrasados (Rússia, Leste Europeu, América Latina etc.) com a ofensiva neoliberal comandada pela direita imperialista (de Reagan e Thatcher aos Bush), o imperialismo buscou reorganizar a sua ofensiva com meios de maior demagogia democrática (Obama, Merkel, Hollande etc.) de modo a ganhar fôlego e relançar uma nova ofensiva. O golpe de Honduras em 2009 marcou a política do imperialismo em traçar uma linha de contenção para o desenvolvimento das tendências nacionalistas de um modo geral e inaugurou uma etapa de golpes de Estado mais ou menos abertos ou guerras civis (Mensalão, 2012, Paraguai, 2012, Ucrânia, 2013, Egito, 2013, Tailândia, 2014, Argentina, 2016, Brasil, 2016, Oriente Médio etc.). A chamada Primavera Árabe, colocando em xeque os regimes clientes do imperialismo na região (Egito, Tunísia, Iêmen, Quaite etc.), mas também os regimes nacionalistas, em grande medida absorvidos pelo imperialismo (Síria, Líbia etc.) abriu, por um momento, a possibilidade de ampliar os regimes de fachada parlamentar de caráter moderadamente nacionalistas (Qatar, Egito, Turquia), o que foi enterrado pela erupção violenta das tendências revolucionárias das massas e pela ameaça de guerra civil na maioria dos países.
    4. A evolução da política imperialista para os golpes de Estado e outras manobras semelhantes revela a incapacidade do imperialismo de manter controle de um regime político submetido a eleições periódicas e relativa liberdade de expressão e organização, mesmo com a situação geral de refluxo da classe operária. A derrota da facção principal do imperialismo no plebiscito britânico (Brexit), nos EUA e a ameaça eleitoral da direita em vários países imperialistas (França, Holanda, Áustria etc.) são a expressão superestrutural do esgotamento do regime baseado em uma dura disciplina fiscal, erosão do valor da mão de obra, racionalização internacional do mercado de trabalho através da imigração etc.
    5. As eleições norte-americanas e francesas mostram que o regime da burguesia imperialista perdeu completamente o apoio da classe operária dos seus países e se sustenta exclusivamente na classe média privilegiada pelo processo econômico atual cuja ideologia é um programa liberal (no sentido político) de reformas inócuas, ultra-moderadas e conservadora baseado no feminismo, anti-racismo, lgbt etc., um programa claramente burguês e dissociado dos interesses da classe operária e das necessidades da população pobre. Estes setores das classes médias identificam o imperialismo e sua propaganda cínica com a democracia, a qual serve como cobertura para os seus privilégios sociais. A grande maioria da esquerda foi mobilizada pelo imperialismo em torno destas aparências de democracia, as quais se opõem claramente à luta de classes, ou seja, à luta da classe operária e do socialismo proletário contra o imperialismo. Este fenômeno repete-se nos países atrasados, com estes setores apoiando inclusive a política golpista do imperialismo, seja na sua versão direitista (MBL, VPR etc. no Brasil) ou esquerdista (PSOL, PSTU, PCB e grupos menores da esquerda pequeno-burguesa). A luta pela completa independência da classe operária e, inclusive, dos setores médios da influência do imperialismo pseudo democrático em todos os aspectos e terreno é uma questão fundamental da luta pela revolução proletária e socialista.
    6. Um fenômeno importante da crise e da decomposição do regime imperialista é o surgimento de manifestações que apontam no sentido da recomposição de um movimento operário independente. O mais marcante exemplo destas tendências é a vitória de Jeremy Corbin no interior do Partido Trabalhista inglês. É preciso estabelecer uma rigorosa delimitação entre Corbin e a esquerda pequeno-burguesa internacional representada por partidos como Syriza, Podemos, PSOL e outras variantes menores de partidos ou combinações pequeno-burguesas. Estes últimos são representantes de uma esquerda pequeno-burguesa pró-imperialista que buscam interessar, sem grande sucesso, a classe operária em sua política superficialmente democrática, que nada mais é que a tentativa dos setores médios beneficiados pela globalização de participação no Estado capitalista. Corbin, por outro lado, líder de um partido burguês e imperialista, mas com gigantesca base operária, é a expressão da luta dos sindicatos britânicos contra a ala direita abertamente imperialista do seu partido, ou seja, diz respeito diretamente à reorganização política da classe operária. Nada há de estranho que este fenômeno ocorra com maior intensidade em um país como a Inglaterra, não apenas porque este é um dos mais decadentes países imperialistas do mundo, mas sobretudo pela importância dos sindicatos ingleses, historicamente, algumas das maiores organizações operárias do mundo.
    7. A única forma de combater as duas vertentes do imperialismo, a democrática e a fascista é a organização da classe operária em um partido político próprio. Isto quer dizer que temos que trabalhar aí onde ocorre a evolução real da classe, prestando minuciosamente atenção aos problemas concretos e à política das suas direções em cada momento. O caminho oferecido pela pequena-burguesia democratizante e pró-imperialista é um beco sem saída para a luta pelo socialismo. Não devemos confundir o maior ou menor grau de radicalização puramente verbal da esquerda pequeno-burguesa com qualquer evolução revolucionária real.
    8. A crise do imperialismo pode facilmente levar a conflitos mlitares de grande amplitude como vemos na situação da Coreia, Síria etc.

 

  1. Rússia, China e Oriente Médio
    1. Uma das chaves da situação internacional está no conflito entre o imperialismo e países atrasados que são potências regionais como a Rússia e China, principalmente, mas também Irã, Índia, Brasil etc. O crescimento da importância destes países e o crescimento dos seus conflitos com o imperialismo nada mais é que um aspecto da crise capitalista e da decomposição dos regimes imperialistas. Sua importância reside em que, de diferentes maneiras, tais países são um terreno fundamental para a economia capitalista mundial. O caso da China é ilustrativo. Com a contrarrevolução de 1989, parte da reação neoliberal em todo o mundo, a China tornou-se, primeiramente, um fator decisivo para que o imperialismo travasse as fortíssimas tendências inflacionárias das duas décadas anteriores pela introdução de centenas de milhões (sic) de trabalhadores baratos no mercado de trabalho mundial, provocando não apenas uma deflação geral, mas sobretudo uma deflação no mercado de trabalho mundial. Este fato atraiu para a China um extraordinário afluxo de capital que serviu para sustentar a dívida pública capitalista, principalmente dos EUA, e a especulação mundial. A recomposição econômica destes países, em aliança com o imperialismo mundial, após longos períodos de violenta crise política e econômica, fortaleceu também as posições das burguesias locais vis-a-vis os países imperialistas. China, Brasil, Rússia, Índia mostram um produto interno bruto superior à maior parte dos países imperialistas, uma pálida imagem contábil deste fenômeno.
    2. A primeira etapa da ofensiva neoliberal mostrou que a sua essência é destruição de forças produtivas em escala colossal como remédio para a crise de superprodução que veio novamente à tona a partir de 1974. De 1984, com Thacher até o colapso da URSS, o imperialismo destruiu uma quantidade de forças produtivas superior às duas guerras mundiais juntas. Uma boa parte da economia dos países do Leste Europeu, da Ásia, da América Latina e da África foi simplesmente varrida do mapa para dar lugar à ocupação de um “novo” mercado pelo capital especulativo imperialista. O reflexo em negativo estatístico deste fenômeno é o crescimento exponencial do desemprego, da fome, da mortandade e inclusive do trabalho escravo mundial, que o imperialismo atribui cinicamente ao desenvolvimento tecnológico.
    3. A política de destruição das forças produtivas dos países do Leste foi levada adiante por meio da exploração das grandes crises econômicas e políticas que conduziram a um enfraquecimento do Estado. Foi no Iraque, porém, que a política neoliberal foi levada, podemos dizer assim, até o fim. A destruição completa e catastrófica da economia iraquiana pelas forças de ocupação imperialista constitui um modelo para a aniquilação das economias mais desenvolvidas dos países atrasados. O capitalismo não pode sobreviver sem a destruição sistemática das forças produtivas. O crescimento da polarização social (acumulação de riqueza em um minúsculo pólo de superbilionários e uma quantidade cada vez maior de miseráveis), do desemprego e mais os processos que levam a uma economia cada vez maior de mão de obra é uma via que somente conduz à maior destruição das forças produtivas (privatizações, fechamento de empresas, demissões, liquidação de serviços sociais do Estado, liquidação de direitos trabalhistas, rebaixamento salarial permanente) e consequentemente a um estrangulamento econômicos destes países (que conduz ao crescimento dos conflitos militares) e à escravização política e econômica que não pode ser obtida sem uma dura resistência política (causa dos golpes de Estado).
    4. Estas são as contradições fundamentais entre estes países e o imperialismo. A burguesia nacional destes países não é capaz de fazer frente ao imperialismo e, de um modo geral, está associada com ele, mas não pode evitar o surgimento de contradições e conflitos. Em todas estas situações, a política revolucionária consiste em combater o imperialismo mantendo uma completa independência em relação à burguesia dos países atrasados, seu programa, sua política e seus métodos. A política de destruição do imperialismo está forçada a provocar guerras, revoltas, revoluções, guerras civis e golpes de Estado até que o capitalismo seja derrotado.

 

  1. O imperialismo e a América Latina
    1. A política de golpes de Estado e de luta contra o nacionalismo na América Latina é o resultado do fracasso da primeira onda da política neoliberal que levou vários países a uma situação revolucionária. A derrota do golpe de Estado na Venezuela (2002), que deveria ser o início da reversão da crise do neoliberalismo enfraqueceu o imperialismo e acentuou o processo nacionalista. A vitória de Lula no Brasil é parte deste mesmo processo.
    2. Para o imperialismo, os governos nacionalistas foram um pedágio a ser pago pelos resultados da política de rapina da década de 1990. Agora, trata-se de retomar a mesma política com maior violência.
    3. Os governos nacionalistas constituíram uma aliança entre setores da burguesia local, do próprio imperialismo, do aparelho de Estado e das classes exploradas e oprimidas. O sucesso desta aliança de classes, cujo segredo está na violência da política imperialista e no seu fracasso, obriga agora o imperialismo a procurar desmontá-la completamente. Para o imperialismo o problema está em destruir as bases para a política nacionalista por um longo período para que possa dominar os regimes políticos na região e levar adiante a sua política de terra arrasada até as últimas consequências. Esta situação não é nova, ao contrário, ela é recorrente nas relações entre o imperialismo e os países latinoamericanos (e mundialmente). Em todas as oportunidades levou a um aprofundamento da política repressiva e contrarrevolucionária até os regimes de tipo fascista como o de Videla, Pinochet, Medici, Banzer etc. Nas atuais condições de crise capitalista, este desenvolvimento tende a se dar de maneira mais rápida e mais convulsiva.

 

  1. Balanço de um ano do impeachment de Dilma Rousseff
    1. O Brasil atravessa um processo de ofensiva contrarrevolucionária liderada pelo imperialismo. As tentativas de reduzir este fato a um “golpe parlamentar” são absolutamente infantis. O imperialismo e os grandes capitalistas a ele associados compreendem que já não podem governar sob o pacto estabelecido pela Constituição de 1988. O regime político saído da queda da ditadura está completamente esgotado porque a burguesia perdeu o controle da situação. No centro da crise está o PT, partido que não estava previsto na chamada “transição democrática”, assim como não estava previsto o enorme papel que a classe operária brasileira desempenharia na política nacional. Se o PT somente pode se consolidar como grande partido de massas eleitoral foi pelas características revolucionárias da situação no seu surgimento e consolidação (1978-85) e se ele pode chegar ao governo foi pelo mesmo motivo. Nesse sentido, o PT não cumpre exatamente o mesmo papel que os partidos socialdemocratas europeus, ou seja, de engrenagem completamente adaptada ao equilíbrio do regime político. A prova está não apenas no golpe de Estado mas na tentativa de liquidação do PT e de Lula em particular levada adiante pela burguesia neste momento.
    2. Nesse sentido, o objetivo da burguesia como o golpe de Estado é o de modificar de maneira qualitativa das relações: enfraquecer parte da burocracia estatal vinculada à economia nacional, liquidar o sistema partidário falido, quebrar os sindicato (o que implica em uma completa reformulação das relações com a classe operária), destruir o tomar para si os mais importantes setores da economia nacional.
    3. As medidas adotadas pelos golpistas e que ultrapassam em muito as expectativas da esquerda pequeno-burguesa que acreditava que estávamos diante de uma mera troca de guarda são apenas a ponta do iceberg. Se a burguesia conseguir impor uma derrota decisiva na luta que se processa neste momento e estabilizar o novo status quo, ela avançará muito mais.
    4. A liquidação do regime político, um fenômeno objetivo em curso, coloca a definição do novo regime do ponto de vista da luta entre as duas classes fundamentais da sociedade, o imperialismo e a classe operária. Ao final da ditadura, a burguesia contava com um partido democrático que serviria de eixo para o regime e que seria a base para uma ampla frente popular, o MDB. Este partido, no entanto, foi liquidado pela crise que impulsionou o desenvolvimento de um partido de fora das combinações da burguesia. Neste momento, a burguesia ingressa na crise com o seu quadro partidário praticamente liquidado, situação que se agrava com o golpe de Estado. O colapso do regime conduz a uma situação revolucionária.

 

  1. A classe operária e o PT
    1. O PT representa as ilusões políticas da classe operária e de um importante setor da pequena-burguesia no regime pseudo democrático. O golpe de Estado fez com que estas ilusões dessem lugar a uma mobilização contra o golpe que tem claras perspectivas revolucionárias. A luta democrática e anti imperialista, bem como a luta contra as reformas só tem futuro como luta por um governo próprio da classe trabalhadora. É nesse sentido que aponta a perspectiva atual. O atual processo deve conduzir à conclusão necessária de que os trabalhadores e a intelectualidade democrática nada têm a esperar do atual regime político em colapso.
    2. Este processo só pode ser desenvolvido pela luta pelas liberdades democráticas contra a burguesia golpista e pela política de devastação do capitalismo. Desta luta pode e deve surgir um partido operário de massas que será expressão da experiência política das massas com o atual processo de fracasso do regime da Nova República e do golpe.
  2. A classe operária diante do golpe
    1. A classe operária mantém-se ainda em uma situação de refluxo, mas começa a dar sinais importantes de que está a ponto de inverter esta situação iniciando uma etapa de ascenso revolucionário. Este é o resultado da prolongada crise política, com duros ataques às condições de vida das massas trabalhadoras e da agitação em torno ao golpe de Estado. Uma das condições essenciais para o ascenso operário, ou seja, para que a classe operária ingresse em um etapa de mobilização revolucionária é justamente a crise do regime político. Foi o que ocorreu com o ascenso operário iniciado em 1978, após 14 anos de ditadura. Esta tendência deve ser impulsionada levando-se a agitação política contra o golpe às fábricas. Este desenvolvimento colocará em pauta a renovação de todas as relações políticas no país, do sistema político aos sindicatos.
  3. A esquerda pequeno-burguesa é um instrumento do imperialismo
    1. A crise do regime político e o golpe colocaram em xeque as perspectivas da construção de uma variante eleitoral da esquerda pequeno-burguesa ao estilo Syriza ou Podemos no Brasil. Os partidos da esquerda pequeno-burguesa como PSOl, PSTU, PCB, PCdoB e alas do próprio PT mostraram-se completamente incapazes de combater o golpe de Estado e no extremo saíram abertamente em defesa dele e de toda a campanha cínica da burguesia. Até o momento, determinadas alas (Luciana Genro, do MES e Juntos do PSOl, PSTU apoiam abertamente a prisão de Lula!). O cálculo de substituir o PT eleitoralmente pela mão da direita está levando estes partidos a uma crise que pode ser terminal.
    2. Esta experiência mostra, de maneira conclusiva, que tais partidos são um elemento de confusão para a evolução da classe operária na sua luta pela construção de um partido operário.
  • Resoluções da 27ª Conferência Nacional do PCO

    Publicamos abaixo o texto final das resoluções aprovadas na 27ª Conferência Nacional do PCO. São, no total, oito resoluções aprovadas com destaques e emendas pela própria Conferência. As demais, cuja forma final não foi dada pela própria Conferência, foram encaminhadas ao Comitê Central Nacional para redação final. São apresentadas aqui, ao final do texto, apenas suas linhas gerais.

  • A 27ª Conferência Nacional do Partido da Causa Operária manifesta-se contra o golpismo do Movimento de Unidade Democrática (MUD) – e a intervenção imperialista na Venezuela. Saudamos a histórica decisão do governo de Maduro de romper com a OEA, ministério das colônias que promove abertamente aos golpistas através de seu presidente, Luis Almagro.

    Denunciamos que a direita promove uma intervenção imperialista na Venezuela. Uribe, ex-presidente da Colômbia, tem pedido que os Estados Unidos invada o país em apoio à MUD. A direita está desesperada por que não consegue organizar uma ala golpista dentro do exército venezuelano. Por isso, prepara uma intervenção de fora do País. Para consegui-lo, pretendem isolar a Venezuela do restante dos países do continente. O Mercosul suspendeu o governo venezuelano pela pressão dos governantes golpistas do Brasil, Paraguai e Argentina.

    Para que triunfe a luta do povo e da classe operária latino-americana e mundial, temos que derrotar os golpistas em toda a América Latina. Em defesa do povo da Venezuela e seu governo, vamos pelas derrotas de suas ditaduras impostas no Brasil e Argentina.

    Repudiamos a esquerda pequeno-burguesa e democratizante que se somou com o golpismo na Venezuela. Marea Socialista, organização-irmã do MES de Luciana Genro, saiu reivindicando a antecipação das eleições para terminar com o governo de Maduro e garantir o golpe imperialista com aparência legal. O PSL, seção venezuelana da UIT-QI, a CST de Babá e a LIT, organizações da esquerda pequeno-burguesa e golpista, reivindicam as manifestações da direita. Esta esquerda está completamente sujeita política e ideologicamente à pressão do imperialismo.

    É necessária a construção de partidos operários e revolucionários na Venezuela e em toda a América Latina que lutem pela união dos operários e camponeses numa luta consciente contra o golpismo e o imperialismo.

    • Solidariedade com o governo Maduro na Venezuela e todo seu povo!
    • Não ao golpismo do MUD!
    • Não à intervenção imperialista!
  • A 27ª Conferência Nacional do PCO repudia o s bombardeios norte-americanos na Síria e no Afeganistão e as ameaças contra a Coreia do Norte por parte do governo imperialista de Donald Trump. Colocamo-nos incondicionalmente ao lado da Coreia do Norte, Síria e Afeganistão, contra o imperialismo norte-americano. Denunciamos que por trás desses ataques encontra-se ainda a intenção dos Estados Unidos de agredir a China e a Rússia, o que poderá chegar a uma guerra internacional com consequências catastróficas para os povos do mundo. Defendemos a unificação de toda a Coreia, sobre a base da expulsão do imperialismo de seu território, sob a direção da classe operária.

    Assinalamos que a aventura bélica de Donald Trump tem como fundamento a própria crise do imperialismo ianque e do regime capitalista mundial em seu conjunto. A guerra é uma saída de força ante as contradições do imperialismo, num momento no qual o Brexit e o ascenso do fascismo na França ameaçam sepultar definitivamente a União Européia. A guerra não expressa a força do imperialismo e sim sua crise terminal.

    Denunciamos a esquerda frentepopulista como Syriza e Podemos que tem se adaptado ao cadáver insepulto da União Europeia. Denunciamos também a esquerda centrista que se pronuncia contra a guerra imperialista mas não reivindica a luta que os povos oprimidos desenvolvem contra o imperialismo. Esta esquerda está incapacitada para oferecer uma saída para a classe operária nessa situação.

    A guerra imperialista, a bancarrota capitalista, a resistência antiimperialista e a luta operária apresentam a necessidade da construção de partidos operários e revolucionários nas metrópoles e nas colônias para unir o movimento operário e os povos oprimidos  na destruição do imperialismo, como parte da luta pela refundação da IV Internacional, partido mundial da revolução socialista.

  • Onde o nacionalismo burguês se desenvolve, a manipulação das denúncias de corrupção é o meio pelo qual a direita imperialista busca mobilizar setores conservadores da classe média para suas investidas políticas e semear a confusão. Logo, observarmos que as palavras de ordem repetidas no Golpe brasileiro ecoaram também na Venezuela, na Ucrânia e demais países onde o Imperialismo se opôs ao bloco nacionalista.

    No Brasil, o Golpe se desenvolveu através de uma operação judicial: Lava Jato. A operação conduzida pelo juiz Sérgio Moro é um caso muito particular dentro da ciência jurídica, pois pertence à doutrina jurídica estrangeira. Um juiz de primeira instância arrogou poderes sob sua responsabilidade para prender pessoas sem provas ou mesmo julgamento, mostrando que a perseguição política ao Partido dos Trabalhadores e a esquerda eram o objetivo fundamental desta operação judicial. Desta forma, a prisão de José Dirceu, Delúbio Soares, Vaccari e Palocci são a prova mais concreta de toda esta perseguição e, por isto, devem ser soltos.

    As 200 prisões da operação Lava Jato são parte da destruição da esquerda, mas podemos notar que o atual momento ainda não expressou todo o estrago que esta operação pode causar. Atualmente, o objetivo fundamental da Lava Jato é a prisão da maior liderança operária e popular, Lula, do país para consolidar o  Golpe. Caso haja eleições em 2018, os golpistas não poderão estar sem o domínio total do processo eleitoral. Para tanto, só conseguirão este feito com a prisão de Lula e a desestruturação de toda a esquerda.

    Tendo em vista todos os problemas acima elencados, o Partido da Causa Operária, em sua 27ª Conferência Nacional, se manifesta em total oposição à Lava Jato, que não só é um perigo para o movimento popular e sindical, mas para todos os partidos políticos de esquerda. A resolução visa esclarecer a todos, sobretudo aqueles que se confundem graças ao apoio que a esquerda pequeno-burguesa, de maneira oportunista, dá à Lava Jato. O Partido da Causa Operária se coloca totalmente contra a Lava Jato, expondo-a como uma farsa, onde todas as condenações não passam de perseguição.

    Pela imediata liberdade de todos os presos políticos da Lava Jato

    Contra a perseguição a Lula e a toda a esquerda

    Pelo fim da Lava Jato   

  • Diante da enorme rejeição ao golpe e das crescentes mobilizações da classe trabalhadora contra o regime golpista e seus ataques, a direita pró-imperialista quer impor uma “reforma política”,  que visa garantir o monopólio dos partidos golpistas.

    A 27° Conferência Nacional do PCO vem denunciar essa manobra da direita golpista para se manter no poder e mudar a “fachada”, mantendo tudo como está.

    Os ataques têm como alvo principal o PT, único partido que possui amplo apoio popular e Lula – liderança incontestável dos trabalhadores. mas visa atacar toda a esquerda e impedir a representação e participação política dos trabalhadores.

    Esse não é momento de discutir mudanças ou reformas com o controle do aparelho estatal nas mãos dos golpistas, mas lutar pela derrubada do bloco golpista que usurpou o poder.

    Nenhum apoio à reforma política dos golpistas!

    Irrestrita liberdade de organização política para os trabalhadores!

    Não à cláusula de barreira e outras medidas restritivas!

    Não ao “voto em lista” imposto pelos golpistas!

    Não à intervenção do Estado nos partidos!

    Derrubar o regime golpista por meio da mobilização operária e popular, para criar as condições para uma reorganização política do País, por meio de uma Constituinte, livre, democrática e soberana, sob o controle dos trabalhadores

  • O regime golpista vem desferindo ataques sistemáticos visando fazer retroceder as condições de vida da classe trabalhadora e desmantelar os sindicatos.

    Uma das medidas é acabar com o “imposto” (contribuição) sindical, fazendo com que não seja mais obrigatória. O trabalhador teria a opção de, dez dias antes da data estipulada para o desconto, ser contrário ao pagamento da taxa, que estaria atrelada à negociação coletiva e continuaria equivalente a, no máximo, um dia de trabalho.

    O PCO considera que é um dever de todo trabalhador, consciente ou não, apoiar as organizações operárias.

    Os golpistas também desejam acabar com a chamada unicidade sindical, ou seja, a existência de um único sindicato numa determinada base geográfica para cada categoria de trabalhadores. Cresce a intervenção judicial e a liquidação do direito de greve.

    Essas medidas se somam à terceirização sem limites, pesadas multas, proibição judicial de greves e outras para buscar destruir a organização sindical dos trabalhadores, justamente quando estes são mais necessários do que nunca para enfrentar a ofensiva dos patrões e do governo golpista.

    Frente a todos esses ataques a 27ª Conferência do PCO delibera pela realização de uma campanha massiva em defesa dos sindicatos, contra a intervenção dos golpistas nas organizações operárias, a favor contribuição de todos os trabalhadores com suas organizações e pelo fortalecimento dos sindicatos, pelo direito de greve, pela total autonomia dos sindicatos diante do Estado capitalistas e pela sua completa independência da burguesia.

    Os sindicatos são de trabalhadores e só eles devem decidir sobre sua organização!

    Irrestrito direito de greve e de organização dos trabalhadores!

  • Diversos setores políticos da esquerda, da direita e do imperialismo reconhecem o esgotamento do atual regime político e apresentam propostas de convocação de uma Assembléia Constituinte como solução. Recentemente, o jornal inglês The Economist interveio nesse debate reforçando essa perspectiva.

    É necessário esclarecer que a simples convocação de uma assembleia com poder de mudar a Constituição, sem colocar abaixo o atual regime político, na prática, significa resgatar e fortalecer o regime dos golpistas, daqueles que estão liquidando a CLT e  a previdência dos trabalhadores.

    O PCO rejeita essa perspectiva e assinala que é necessário impulsionar a mobilização operária. Somente com a derrota do atual bloco golpista no poder será possível impor uma nova constituição que atenda aos interesses dos trabalhadores.

    • Abaixo o golpe de estado!
    • Abaixo a ditadura dos golpistas e do judiciário!
    • Por uma assembleia nacional constituinte que seja o resultado da mobilização revolucionária das massas que derrote o regime golpista
  • O ano de 2016 foi o ano de efetivação do impeachment e de ofensiva da extrema direita no país. No campo, essa ofensiva se deu da maneira mais violenta possível e sendo considerado um dos anos mais violento das últimas três décadas.

    Os massacres de trabalhadores sem terra não param de crescer, cada vez com maiores requinte de crueldade e selvageria da parte do latifúndio e seus capangas armados até os dentes e com a conivência da Polícia e do judiciário golpista.

    Diante desse cenário, a 27ª Conferência Nacional do PCO vem defender a necessidade de autodefesa dos trabalhadores sem-terra.

    Sempre existiu uma enorme ofensiva contra os trabalhadores do campo vinda dos latifundiários e do Estado, mas que o golpe está acentuando a proporções gigantescas. As forças de repressão do Estado, judiciário e pistoleiros contratados pelo latifúndio estão atuando em conjunto e se sentindo a vontade para agir da maneira que acharem necessária para acabar com a luta pela terra. Isso podemos ver com prisões arbitrárias, ameaças de morte e assassinatos brutais. E a perspectiva é que esse número aumente exponencialmente.

    Diante desse cenário é necessário dar aos trabalhadores do campo o direito mais elementar de defender sua vida e de seus familiares contra o massacre que vem ocorrendo oriundo do conluio entre as forças de repressão, pistoleiros e judiciário.

    Chamamos os sindicatos e organizações  operárias e democráticas a organizarem uma ampla campanha contra o massacre no campo. Afirmamos que a única forma de acabar com os assassinatos no campo é a expropriação sem indenização do latifúndio.

    Pelo direito à autodefesa dos trabalhadores sem-terra e de todo o povo trabalhador!

  • O PCO entende que o centro da luta da classe trabalhadora na atual etapa é a mobilização pela derrota do regime golpista,  que significa derrubar o govern golpista de Temer e toda a quadrilha que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, restituindo seu mandato legítimo, para o qual obteve 54,5 milhões de votos até dezembro de 2018.

    Nos posicionamos contra toda a operação golpista em torno da Lava Jato e outras manobras que visam fazer regredir em até um século as condições de vida e de trabalho da imensa maioria do povo brasileiro.

    Para impor esta ofensiva sem paralelo, a direita pró-imperialista busca a todo custo colocar na cadeia e fora da cena política o ex-presidente Lula, dirigente do PT e maior liderança popular das últimas décadas. Reafirmamos nossa posição de denúncia desta operação, chamamos a defender a liberdade de Lula e seus plenos direitos políticos, bem como de todos os dirigentes da esquerda, com José Dirceu, e de todos os que foram u são alvos dos processos-farsa da ditadura golpista do judiciário.

    Esta defesa dos direitos democráticos do povo não implica necessariamente num posicionamento a favor da candidatura de Lula ou de um eventual apoio ao ex-presidente nas eleições.

    Nossas diferenças com a política de conciliação de classes e de capitulação diante da burguesia, inclusive da direita golpista, não só de Lula, como de todo o PT, são conhecidas de todos e nos levaram a ser os maiores opositores desta política dos governos desse partido, do ponto de vista dos explorados.

  • Resoluções aprovadas em linhas gerais, com base na discussão na Conferência, e encaminhadas à direção nacional do Partido para redação final:

    Sobre a Frente Brasil Popular

    Reafirmar o apoio do PCO à Frente Brasil Popular (FBP), destacando que a FBP deve ter como eixo a unificação da luta das massas contra o golpe de Estado

    Por um plano de luta rumo a uma greve geral por tempo indeterminado

    A 27ª Conferência do PCO propõe a intensificação da luta pela derrubada do governo golpista como a única saída para a efetiva vitória da classe operária brasileira e o conjunto dos explorados.

    Por um plano de lutas, com outras manifestações e que essas manifestações se encaminhem a uma greve geral por tempo indeterminado até a derrubada dos golpistas.

    • Todos a Curitiba contra a prisão de Lula
    • Por uma nova greve geral de dois dias, preparando uma greve geral por tempo indeterminado até a derrubada dos golpistas
    • A luta contra as medidas do golpe, como as reformas da previdência e trabalhista, só poderá ser consequente se estiver subordinada à luta regime golpista.

    Contra o ataque dos golpistas aos direitos democráticos da população

    Aprovada no sentido de combater a influência da esquerda pequeno-burguesa que usa a demagogia feminista

    Sobre os comitês de luta contra o golpe

    A 27ª Conferência Nacional do PCO propõe a expansão dos comitês existentes e a sua multiplicação aos milhares no sentido de alcançar as categorias operárias, os locais de trabalho, escolas, bairros, etc, constituídos para ação direta dos seus membros por meio de panfletagens e organizações de colagem de cartazes regulares, organização de debates e demais atividades promovam a agitação, a propaganda e a organização dos explorados na luta contra o golpe.

    Por um partido operário

    Aprovada no sentido da luta por um partido operário, pelo fortalecimento do PCO como embrião do partido revolucionário no País.

Resoluções da 27ª Conferência Nacional do PCO

resolucoes
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Assista aos trechos do informe político da 27ª Conferência Nacional do PCO:

A Greve Geral e o papel da CUT

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

Feita a Greve Geral é hora de avançar na luta e derrubar o golpe

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

A Greve Geral surgiu da luta política dos trabalhadores contra o golpe

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

Balanço da Greve Geral e a entrada dos trabalhadores na luta política

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

Balanço Internacional - As eleições da França

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

A esquerda pequeno-burguesa é um ruído na linha

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

A Greve Geral abre uma nova etapa de luta e a crise do regime político

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

A luta de classes, Lula e o PT

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

A Greve Geral foi contra o governo golpista

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

A Greve Geral no Brasil

Informe Político da 27º conferência nacional do Partido da Causa Operária, por Rui Costa Pimenta.

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