O que é o trotskismo

trotskismo é uma doutrina marxista baseada nos escritos do político e revolucionário ucraniano Leon Trotski. É formulada como teoria política e ideológica, apresentada como vertente do comunismo por oposição ao stalinismo.

O trotskismo procura defender o marxismo em sua versão “ortodoxa”, contra a burocratização do Estado Operário e política nacionalista da Internacional, a partir da ascensão de Josef Stalin ao poder em 1924 na União Soviética.

Trotski desenvolve a ideia de Revolução Permanente e da “Lei do Desenvolvimento Desigual e Combinado”.

Uma das principais divergências em relação ao pensamento de Stálin se concentra na oposição à defesa do “socialismo em um só país”.

Teoria da Revolução Permanente desenvolve as teses já estabelecidas pelo Manifesto Comunista e, entre outros pontos, defende a necessária expansão da revolução internacional, como prioridade, ao invés do seu fortalecimento interno na União Soviética.

No final de sua vida Leon Trotski funda a IV Internacional (1938).

Após seu assassinato no México pelo agente da NKVD Ramón Mercader, sob as ordens diretas de Stálin, e a execução e assassinato de milhares de oposicionistas na URSS (Deutscher, O Profeta Banido) e fora dela, como o do dirigente do POUM Andreu Nin, o trotskismo se parte em distintas correntes que hoje se auto-denominam trotskistas e se organizam em diferentes agrupamentos da Quarta Internacional.

Para o stalinismo o trotskismo seria uma mera tentativa revisionista e heterodoxa de desvirtuar o que chamam de marxismo-leninismo, o que corromperia os valores revolucionários representados pelo regime stalinista na União Soviética.

A teoria da “Revolução Permanente” baseia-se na ideia do “desenvolvimento desigual e combinado“.

Segundo esta tese, elementos de um desenvolvimento econômico agrário com características feudais convivem simultaneamente com a indústria mais moderna do mundo, o que possibilitou, na Rússia, a revolução operária.

Este raciocínio, é o de que, se um país começa a se industrializar tarde, irá adotar as industrias mais modernas existentes, logo, a pouca indústria que terá será altamente desenvolvida, podendo conviver com traços econômicos de épocas remotas.

A carroça ao lado do avião.

E estes elementos se combinam mutuamente. Nesta perspectiva, por exemplo, a escravidão foi um elemento importante do desenvolvimento do capitalismo no século XIX.

Tal análise leva ao entendimento de que, mesmo em países em que a nobreza continua a ser a classe dominante e onde não se desenvolveu completamente a burguesia capitalista, esta última já está em conflito com o proletariado, porque, como a pouca indústria existente é das mais modernas, os conflitos entre patrões e trabalhadores tendem a assumir os mesmos contornos que nos países desenvolvidos.

Assim, a burguesia local estaria entre dois fogos: por um lado, continua submetida ao antigo regime feudal, o que a poderia levar a posições revolucionárias (como a burguesia europeia ocidental dos séculos XVIII e XIX); mas, por outro, já sofre a pressão dos trabalhadores, o que a leva a posições totalmente conservadoras (como a burguesia europeia ocidental do século XX).

Segundo Trotski, quanto mais tarde um país conhecesse o seu desenvolvimento industrial, mais conservadora seria a sua burguesia local, já que o medo ao proletariado seria mais forte que a sua oposição à nobreza.

Além disso, ao contrário da Inglaterra de 1688, da América de 1776 ou da França de 1789, já não existiria no século XX classe de pequenos e médios artesãos e comerciantes que pudesse fornecer a “mão-de-obra” para uma revolução burguesa (devido à modernização do setor industrial, o único “povo” disponível – nas cidades – são mesmo os operários).

É aqui que entra em cena a Revolução Permanente: segundo Trotski, a burguesia já não é capaz de fazer a “revolução burguesa” ela mesma, tendo que ser o proletariado a encarregar-se das tarefas democráticas.

Mas, sendo o proletariado a fazer a “revolução burguesa”, este não se contentará com o programa “liberal-burguês” ( abolir a monarquia absoluta, liquidar o feudalismo etc.) e irá logo começar a pôr em prática o “programa socialista” – assim, a revolução é “permanente”, já que, pela sua própria dinâmica, tenderá a evoluir para posições cada vez mais radicais (no caso russo, a revolução começou por ser democrática e republicana (fevereiro) e, em poucos meses, tornou-se socialista).

Estas teses seriam contestadas pelos seguidores de Stalin, pelas alianças propostas no século XX com a Burguesia Nacional, para desenvolver a Revolução Democrática ou Burguesa, para depois organizar uma “futura” revolução socialista. Assim foram as Frentes populares durante a Guerra Civil Espanhola (19331936)[5] e no Chile de Allende no início da década de 1970, entre tantos exemplos.